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Minimalismo: é sobre a possibilidade de ir do fundo do poço ao equilíbrio e liberdade!
Só quem já entrou num shopping incorporando ao salário o limite do cheque especial e do cartão de crédito, onde saiu comprando bolsas, sapatos e roupas até o último centavo, sabe que poucas horas depois de chegar em casa e guardar tudo no armário o vazio volta, e não vem sozinho. Vem com ele a culpa e o arrependimento, e inevitavelmente com as dívidas!
Esses eventos são parte da minha história, mas também parte da história de milhares de outras pessoas no mundo inteiro.
A princípio, no meu caso esteve muito ligado ao fato de não me sentir realizada trabalhando no mundo corporativo e numa área que eu não gostava. Mas não necessariamente a causa que desencadeia esse comportamento tem a ver apenas com a vida profissional.
Depois que saí do escritório, o comportamento me acompanhou em muitos outros episódios, só que ao invés de bolsas e sapatos passei a comprar outras coisas.
Até que chegou um dia que percebi que a situação havia se tornado insustentável, e que estava me atingindo não apenas financeiramente, mas também atacando, meu emocional, meu psicológico e meus valores, em especial o da Liberdade.
Entendi, mas somente depois de muitos episódios, que não tem como ter paz e ser livre se você tem uma montanha de faturas de cartão de crédito por coisas que você compra e que muitas vezes nem precisa.
Eu enchi um caminhão baú! 🙁
Em 2014, cheguei em casa depois das férias e decidi fazer uma verdadeira revolução, onde literalmente me livrei, de um caminhão 3/4 do tipo baú, de objetos, livros, roupas e sapatos.
Quando digo que foi um caminhão baú, não estou exagerando, pois chamei o Exército da Salvação para retirarem as doações e literalmente ocupou um caminhãozinho inteiro daqueles que eles possuem para isso.
De lá pra cá eu comecei a repensar meu comportamento e mudar meus hábitos de consumo, mas ainda estava muito longe de ser o que queria, e virava e mexia eu acabava compensando com as compras.
Em 2019, quando me mudei de cidade, precisei repetir o processo, já que meu quarto não teria mais 12m² e sim, menos da metade disso.
É claro, que dessa vez não saiu o mesmo tanto de coisas a ponto de ocupar um caminhão, mas acredite, foram muitas caixas de doações.
Junto com a mudança comecei a pensar que o que me realizaria profissionalmente estava profundamente conectado com o fato de poder ser livre geograficamente. Sendo assim, não fazia sentido ter um monte de coisas que não poderia carregar comigo.
Essa ideia ficou lá amadurecendo até que em meio a uma crise de Burnout conheci o Essencialismo e vi que uma coisa estava ligada a outra.
Perceba que não foi de uma hora para outra. Vejo que foram episódios, que me levaram a refletir, me questionar, que me impulsionaram a me autoconhecer e que me possibilitou rever meu comportamento e meus atos.
E foi assim que o minimalismo entrou na minha vida! Hoje, novembro de 2021 – não sei quando você vai ler esse artigo – ainda me vejo como uma caminhante dessa filosofia, mas que já consegue dizer o quanto isso já traz resultados significativos para mim e para Gaia!
Sobre o Minimalismo...
As pessoas pensam que ser minimalista é alguém que é miserável, que nunca compra nada novo, que tem apenas um prato, um garfo, uma faca e um copo e que na sua sala de estar tem apenas uma cadeira branca com uma planta no canto. Isso é mito!
É claro que não tem nada de errado se uma pessoa desejar ter um item de cada em sua cozinha, mas não é sobre isso!
Vejo e sinto o minimalismo como uma forma de cura tanto para quem o adota como para Gaia.
Nossa sociedade e o velho capitalismo insano nos impele à crença de que quanto mais temos, mais somos.
E com isso passamos a vida alimentando um sistema com sangue, suor, lágrima e gordura onde praticamos consumo desenfreado para comprar coisas que não precisamos, para mostrar para pessoas que muitas vezes não significam nada.
Minimalismo não tem a ver com ser pobre, mesquinho, pão duro… tem a ver com SER… ser mais consciente, ser livre, ser em essência, existir com mais propósito, com mais verdade.
É sobre SER INTEIRA sem precisar validar sua existência com o ter e o supérfluo.
Como você pode começar?
Olha, se você espera uma lista cheia de regras preciso te contar que ela não existe. Em especial, porque se tornar uma minimalista é adotar uma filosofia de vida que vai te fazer mudar algumas (muitas), coisas!
E ninguém melhor do que você para saber o quanto e o quando está disposta a fazer essa mudança.
Eu já contei num post no Instagram que em meio a essa jornada me desfiz de algo que na época parecia certo, mas anos depois bateu um arrependimento danado que foram meus livros da Bruxaria Natural, Aromaterapia e afins! Portanto avalie se realmente está pronta para fazer isso de maneira tão brusca.
A ideia não é se livrar de tudo e depois sair para comprar mais porque se arrependeu, então talvez você se sinta mais confortável e confiante se começar aos poucos.
Que tal você começar pela caixa de bijuterias, a de esmalte ou maquiagem. Quem sabe pelos sapatos ou aquela “coleção” de xícaras e canecas que você nunca usa.
Outra dica importantíssima que vale a pena mencionar é: não jogue fora! Muitas vezes o que não serve para você pode ser disponibilizado para doação ou até colocado à venda em sites de desapego.
Se depois de avaliar que determinado item deve mesmo ser descartado como lixo, então certifique-se de dar o descarte certo. Veja se tal objeto pode ser reciclado.
Não é apenas sobre você tirar coisas da sua casa, mas também sobre dar um destino correto e sustentável para o que você não deseja mais.
A pessoa que decide abraçar o minimalismo, ela tende a ter ou desenvolver uma visão e uma existência mais empática consigo mesma e também com o planeta!
Vou deixar essas indicações de livros sobre o tema para você!
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